Jovens buscam Emoções Fortes

 

Créditos: Marina Caruso - Edição N.º 235 Outubro de 2010

 

Porque os Jovens buscam emoções mais fortes na hora do Sexo ?

O sexo a dois, entre quatro paredes, pode estar correndo risco de extinção. Principalmente no que depender da libido da moçada que hoje tem entre 18 e 30 anos.

 

Para boa parte dessa turma, a chamada geração millenium — que cresceu bombardeada por sites pornôs, programas eróticos da TV a cabo e por publicações que chegam a prometer um orgasmo por segundo — uma transa “normal” já não basta. Ficou chata, careta, sem graça.

 

São meninos e meninas que, em sua maioria, perderam a virgindade bem mais cedo que seus pais, conforme explica a psiquiatra Carmita Abdo, do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Há duas ou três décadas, os homens começavam a transar aos 16 anos e as mulheres aos 20”, diz.

 

“Hoje, a iniciação sexual acontece aos 15 para ambos os sexos.” Ou seja, a comparação entre os gêneros aumentou e criou uma espécie de braço de ferro sexual.

 

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Para entender como essa ditadura do prazer tem transformado jovens saudáveis, bonitos e inteligentes em verdadeiros aficionados por sexo.

Marie Claire visitou O "Code Club International".

Com vocês, um raio X do sexo sem fronteiras.

 

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Balada Liberal

É Sábado de uma semana comum em São Paulo. Marcos*, 23 anos, Patrícia, 24, Camila, 25, e Rodolfo, 32, estão a caminho do Code Club International, a “balada liberal” em código que tem apimentado a noite paulistana.

 

" É como um Filme Pornô, ao Vivo. Com a diferença que, aqui, nós somos os atores principais e os diretores " - Marcos* 23 - estudante

Versão moderna das antigas baladas liberais — leia-se: sem o décor de gosto duvidoso, os espelhos no teto e os casais de meia-idade que encontraram na traição consentida uma forma de salvar o casamento, O Club é aparentemente normal, têm pista de dança, djs da moda, lounges com sofás, áreas vips, sushibar e... uma portinha singela que conduz a um gigantesco labirinto de cortinas negras. Desse emaranhado de corredores saem pequenos “dark rooms” e, no caso do Code, uma enorme kombi em formato de cama.

 

Ali, entre gemidos, sussurros e alguns “ei, você, me empresta uma camisinha?”, Marcos, a namorada Patrícia e outros 15 ou 20 jovens bonitos como eles participam de experiências sexuais de todos os tipos. Há quem se masturbe, troque de parceiro, transe somente com o oficial e quem — como nós da equipe de Marie Claire — só fique parado, estarrecido com uma cena que dificilmente sairá da cabeça. “É como um filme pornô, ao vivo. Com a diferença que, aqui, nós somos os atores principais”, diz Marcos. “E os diretores”, completa Patrícia.

 

Namorados desde os tempos de colégio, os dois perderam a virgindade juntos, aos 16 anos. Três anos mais tarde, começaram a sentir necessidade de viver outras experiências sem que isso representasse fim de namoro ou traição. “Um dia, de tanto assistir a documentários da TV a cabo sobre swinguers, nos perguntamos se essa não seria a nossa saída”, diz Patrícia. Pouco tempo depois, ela e o namorado começaram a frequentar casas e festas do gênero. “

 

No início, não conseguíamos nos misturar com os outros casais. Além da timidez, o fato de eles serem mais velhos e meio fora de forma atrapalhava”, diz Marcos. Por mais estranho que aquilo fosse, no entanto, era também excitante. “Saíamos loucos para transar e acabávamos indo para algum motel.

 

Em “momentos de desejo incontrolável”, a coisa rolava ali mesmo, em cantinhos reservados da boate.

 

Aos poucos, e conforme descobriam que jovens liberais como eles estavam trocando as casas de swing por essas baladas mais descoladas, Marcos e Patrícia foram se soltando. Há três anos fizeram sexo pela primeira vez com outro casal e acharam “gostoso, apesar de estranho”. “No início rola ciúme e é preciso conversar muito e estipular cuidados e práticas que não machuquem”, diz Patrícia. “Só deve haver troca quando os dois parceiros do lado de lá forem tão interessantes quanto os do lado de cá. Também não vale trocar telefone ou marcar encontro às escondidas. “Na medida em que isso é respeitado, o ciúme vai, aos poucos, se transformando em tesão”, diz Marcos. “Ver seu namorado transando com outra mulher pode ser uma delícia. Ainda mais se ele estiver olhando para os seus olhos”, diz Patrícia.

 

Com tudo isso, não é difícil entender por que as imagens, dessas noitadas que recebem entre 250 e 300 casais custam a sair da memória. “Durante a semana, quando estamos a sós, aquilo ainda nos excita. É como um filme interior, acionado ao primeiro estímulo”, diz Patrícia.

 

Ela e o namorado ainda moram com os pais, e batem ponto no Code Club uma ou duas vezes por semana. A entrada, com nome na lista, custa R$ 100 por casal, com consumação incluída. O que, no fim do mês, significa menos R$ 800 na conta do casal. “Não é muito se comparado ao que gastamos numa boate normal. Só que aqui, além de beber e dançar, ainda melhoramos nosso desempenho sexual”, diz Patrícia.

 

Embora pudesse ser fruto de uma história isolada, essa busca pelo desempenho de excelência por meio do suingue é, segundo o psiquiatra paulista Alexandre Saddeh, do Hospital das Clínicas de São Paulo, um traço comum no comportamento do jovem. “Cerca de 50% dos meus pacientes de 20 a 30 anos foram ou vão habitualmente a esse tipo de casa noturna. É a balada da moda”, afirma. Na opinião do especialista, além de refletir uma hipersexualização do jovem, o novo hábito é consequência de uma cultura imediatista. “A sociedade está mais ansiosa. Queremos tudo para ontem. Inclusive, o tesão.”


Comentários (2)

Rose
Escrito em 20-02-2012 At 03:53 pm

"... os casais de meia-idade que encontraram na traição consentida uma forma de salvar o casamento..."... Isso é triste, na minha opinião. Se você precisa salvar o casamento ou relacionamento, é porque o mesmo está acabando ou já acabou. Se é assim. Sair desse conflito e buscar um novo parceiro é o ideal.

Escrito em 15-12-2010 At 10:30 am

O  swing excita  muito, Temos que ter  prazer em fazer sexo, Ainda não tive a experiencia de trocar de casal, Quem  sabe  um  dia, gostei da reportagem.

 Abraços  João. 

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